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January 5, 2009

Gabriel José Garcia Márquez - Memória das Minhas Putas Tristes

Conta a história de um velho jornalista de noventa anos que deseja festejar a sua longa existência de prostitutas, livros e crónicas com uma noite de amor com uma jovem virgem. Inspirado no romance "A Casa das Belas Adormecidas" do Nobel japonês Yasunari Kawabata, o consagrado escritor colombiano submerge-nos, num texto pleno de metáforas, nos amores e desamores de um solitário e sonhador ancião que nunca se deitou com uma mulher sem lhe pagar e nunca imaginou que encontraria assim o verdadeiro amor. Rosa Cabarcas, a dona de um prostíbulo, conduzi-lo-á à adolescente com quem aprenderá que para o amor não há tempo nem idade e que um velho pode morrer de amor em vez de velhice.

A escrita incomparável de Gabriel García Márquez num romance que é ao mesmo tempo uma reflexão sobre a velhice e a celebração das alegrias da paixão.
É uma obra de muito curta e por ser muito bem escrita, lê-se Memórias de Minhas Putas Tristes de uma sentada, eu li em cerca de 2-3 horas.
No entanto é recompensador, ao fim do livro, perceber que o narrador vai ficando cada vez mais leve ao sentir que não vai morrer ao entrar no seu 91º ano de vida e que está disposto a viver com plenitude e sabor os seus cem anos de solidão.

Esse livro quando saiu foi uma confusão por causa do título, que muito pouco tem a ver com o conteúdo do mesmo, "Memória de minhas Putas tristes", é um romance muito sensível para um título tão pesado, talvez seja exactamente aí que se encontra o contra ponto.

"No ano dos meus noventa anos quis oferecer a mim mesmo uma noite de amor louco com uma adolescente virgem."

“Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prémio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reacção contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco. “
Excertos - Memórias de Minhas Putas Tristes .

É assim que começa este magnífico livro do grande Gabriel García Márquez, autor do que considero o melhor livro que alguma vez li: Cem Anos de Solidão, que foi Prémio Nobel de Literatura em 1982.

4 comments:

Branquinha said...

Eis dois livros que estão na minha lista. Principalmente o 100 anos de solidão!

Já leste Norah Roberts?

***Branquinha

ameixa seca said...

Miss Slim, queria saber se posso recuperar este teu post para a Academia Literária. Depois dizes-me se posso ou não ok?

Paula said...

Gabriel Garcia Marquez é um dos meus escritores preferidos.Adoro,consigo imaginar-me nos sitios que ele descreve,quase sinto o cheiro da floresta tropical...lindo.Só me falta ler a biografia...

Maria said...

Este é dos meu preferidos do GGM!! Li-o numa viagem de comboio... De um fôlego!!!

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