Ler é sublime...
Ler é viajar, sem sair do lugar onde estamos ...
Ler é cultura, Ler é muitooooo importante na minha vida...

December 21, 2011

Ler Lolita em Teerão de Azar Nafisi

A escritora iraniana Azar Nafisi é autora de um dos maiores best-sellers dos últimos anos, o livro "Lendo Lolita em Teerão" . A obra relata sua experiência ao criar um grupo de leitura de clássicos da literatura formado por mulheres no Irão pós-Revolução Islâmica.
Azar Nafisi foi expulsa da Universidade de Teerão – onde ensinava literatura – em 1981, por recusar usar o véu islâmico. Depois de demitida, devido à pressão das autoridades iranianas, organizou em casa um ateliê de leitura clandestino.•
Entre 1995 e 1997, reuniu sete das suas melhores alunas para, em conjunto, descobrirem algumas obras-primas da literatura ocidental, como Nabokov, Fitzgerald, Flaubert, Jane Austen, entre outros.
À chegada, as suas convidadas libertavam-se dos véus, dos vestidos pretos e das luvas e deixavam aparecer o ouro dos adornos, as roupas garridas e o verniz das unhas.

Estes encontros literários levaram-nas, pouco a pouco, a abordar livremente a falta de liberdade das mulheres na sociedade iraniana.

Numa narrativa intensa, Azar Nafisi transmite, em “Ler Lolita em Teerão”, a sua paixão pelos livros. Lembra-nos que estes são como uma protecção da realidade opressora e que é no seu interior que se revela a identidade das pessoas e se descobre a verdadeira vida.

Todos nós temos sonhos. Esta é a história do sonho de Azar Nafisi e do pesadelo que o tornou realidade.

“ Imagino uma terra calcinada, mas onde as árvores e as flores crescem viçosas, por entre nuvens de poeira. Imagino uma cidade poluída e sobrelotada, rodeada de montanhas que quase tocam o céu. Imagino um povo gentil e afectuoso, de olhar encurralado e movimentos contidos. Não consigo imaginar o que foram aqueles oito anos de guerra com o Iraque. Imagino o negrume monótono da indumentária das jovens iranianas e as suas expressões furtivas. Não consigo imaginar o que é ser-se mulher na República Islâmica do Irão. Tento imaginar os demónios ódios maldade ignorância que vivem no interior dos elementos das brigadas da moralidade. Não consigo imaginar o que se passa nas mentes dos homens de turbante e de tamancos. Imagino a expressão "Em nome de Deus" no início de todos os documentos oficiais e palestras. Imagino um lugar povoado de vultos com a cara encostada ao chão, que se defendem atrás do silêncio. Imagino que, ali, a alegria só exista no movimento incessante das ruas e nesses jardins dos meus sonhos, talvez a mais bela herança da tradição persa. Imagino que as rotinas diárias permitam criar uma estranha noção de estabilidade a um povo aprisionado. Imagino uma espécie de estado geral de resignação e que, apesar de tudo, a vida continua. Imagino uma professora e seus alunos, a ler secretamente “Lolita”, numa casa anónima de Teerão.”


Muito bom mesmo, recomendo Vivamente.

December 12, 2011

1Q84 de Haruki Murakami

Com este livro Murakami superou todas as minhas expectativas.
Maravilhoso este livro, um must, brutallllll : )
Pena já ter acabado…
É que já estava pronta para outro : )

« E quando uma pessoa dá esse passo e faz uma coisa desse género, é provável que o cenário quotidiano… como é que hei-de dizer?... pareça mudado. As coisas à nossa volta podem revelar-se um pouco diferentes do que é costume. Eu próprio já passei por essa experiência. Contudo, não se deixe iludir pelas aparências. A realidade é apenas uma. »
by Haruki Murakami in 1Q84

November 29, 2011

Para os fãs de Haruki Murakami


Para os fãs de Haruki Murakami
Como eu!

O novo livro do autor 1Q84 que já foi lançado em Portugal no passado dia 8 de Novembro.
Trata-se apenas do primeiro volume da obra, que está dividida em três livros distintos.

Pois eu já estou a tratar deste :) Sou fã incondicional de Haruki Murakami.




November 22, 2011

Sultana A Vida de Uma Princesa Árabe de Jean P. Sasson


Este é um daqueles livros emocionantes do inicio até ao final.
Outra visão do mundo muçulmano, história verídica e que em comparação com tantas as outras infelizes história, esta Princesa que existe mesmo e a história como já referi é uma heroína, que no meio em que se movia, consegui evitar e combater muitas coisas más para a sua vida e de uma forma excepcionalmente Inteligente. Um livro emocionante e muito interessante.

Um relato impressionante dos horrores, tragédias e humilhações a que, no limiar do século XXI, continuam a ser submetidas as mulheres nas sociedades mais retrógradas do mundo árabe.
Sob o pseudónimo de “Sultana”, uma princesa saudita – da casa real Al Saud – aceitou, arriscando a vida, relatar à jornalista e escritora norte-americana Jean P. Sasson todos os horrores, tragédias e humilhações a que, no limiar do século XXI, continuam a ser submetidas as mulheres nas sociedades mais retrógradas do mundo árabe.
Utilizando nomes diferentes e alterando certos pormenores de alguns acontecimentos para proteger as pessoas envolvidas, “Sultana” descreve neste impressionante testemunho a incrível multiplicidade de actos tirânicos e bárbaros ditados por um obscurantismo implacável que promove a poligamia, dá ao homem o poder de castigar cruelmente qualquer mulher e incentiva os casamentos forçados, as mutilações e a violência sexual, as execuções por apedrejamento ou afogamento...

November 19, 2011

O Preço do Véu de Giuliana Sgrena



Este é um livro escrito pela jornalista italiana Giuliana Sgrena, raptada a 04 de Fevereiro de 2005, em Bagdad.
É um livro chocante, mas verdadeiro, que aborda a virgindade ou ausência dela, casamentos de crianças aos 6 anos, quando deveriam estar a gozar a sua infância…
Enfim quanto a mim um tipo de cultura, completamente mal interpretada e mal aplicada, degradante para as mulheres, nunca para os homens que são neste tipo de cultura sempre Reis e Senhores e como a certo ponto diz a autora: “ … um filho varão é um tesouro, vale mais dos que duas ou mais filhas …”.
É um tipo de cultura que tenho como é óbvio de tentar compreender, porque existe é real, mas não consigo aceitar tal atrocidade. É óbvio que não podemos levar e considerar tudo pelo todo, porque também e Felizmente existem excepções.
É um livro duríssimo, mas que nos mostra a realidade nua e crua.

Excerto:
"O 11 de Setembro agudizou o isolamento do Islão e de todo o mundo muçulmano, sem distinções. «Na década de 1980, quando os grupos islâmicos nos matavam, o Ocidente dizia que nos devíamos pôr de acordo com eles em nome da democracia; após o 11 de Setembro, deram-se conta de que o terrorismo islâmico existe realmente, e assim nós muçulmanos tornámo-nos todos terroristas e hoje é quase impossível obter um visto para a Europa», dizem-me muitos amigos do outro lado do Mediterrâneo. O isolamento pesa, mais do que se imagina. Pude observá-lo no caso dos Palestinos, entre as mulheres laicas que têm de enfrentar não apenas o integralismo do Hamas e o muro de Israel, mas também o boicote internacional. (…) o objectivo destas páginas não é tanto a denúncia das violações dos direitos das mulheres no mundo islâmico - um drama que, com óbvias diferenças, está infelizmente presente em todas as partes do mundo -, mas antes trazer à luz uma realidade pouco conhecida e pouco contada: a presença nos países muçulmanos de mulheres (mas também de homens) que se batem pelos seus direitos e lutam pela afirmação daqueles valores universais, motivo de orgulho do mundo ocidental, que continuam a ser negados em imensos lugares, muitas vezes com a nossa cumplicidade. Estas mulheres e estes homens não procuram fazer seus valores estranhos à sua cultura. Embora reconhecendo a sua especificidade, lutam para afirmar a sua validade universal."

November 16, 2011

Filhas do Deserto de Waris Dirie

Num Mundo onde ninguém se importa com ninguém, gosto de pensar que ainda existe pessoas que se importam com os outros.
Este é um livro de uma Realidade chocante mas Verdadeira, infelizmente.
Um assunto que incomoda, mas que cada vez mais tem de ser denunciado e combatido.



Top model, embaixadora da ONU e possuidora de uma coragem extraordinária, Waris Dirie nasceu no seio de uma tribo dos desertos da Somália. Em A Flor do Deserto, ela contou a sua história enquanto vítima de excisão aos 5 anos de idade. Decidida a escapar à miséria e às condições extremamente adversas a que estão destinadas as mulheres no seu país, Waris fugiria através dos desertos, acabando por ser descoberta por Terence Donovan e por tornar-se numa das modelos mais requisitadas. Aurora no Deserto dá-nos a conhecer o seu percurso e experiências como embaixadora das Nações Unidas contra a MGF (mutilação genital feminina), bem como o comovente momento em que reencontrou a sua família, na Somália. Neste seu terceiro livro, Waris conta-nos como, juntamente com a jornalista Corinna Milborn, investigou a prática de MGF na Europa – estima-se que, pelo menos, 500 mil mulheres e raparigas tenham sido vítimas de MGF. Neste momento, a França é o único país que aplica, de facto, a legislação contra esta prática. Entretanto, nenhum país europeu reconhece oficialmente a ameaça de mutilação genital como motivo para asilo. Neste livro estão as vozes das mulheres que se sentiram motivadas pela coragem de Waris Dirie.
Pela primeira vez elas fazem ouvir a sua voz.


Excertos:
"O problema reside precisamente nesta falta de comunicação …"

"Se esperamos a que a maioria esteja convencida, será uma longa espera e não nos devemos surpreender se nada mudar. Na História, as mudanças são causadas por actos individuais... por heróis ou heroínas individuais"

"A mutilação genital não é cultura, é uma violação dos direitos humanos"

"Se não respeitarmos as suas atitudes, não vamos encontrar a forma correcta de atacar a MGF e conseguir a sua abolição. Só quando a mulher tiver acesso à educação e à emancipação é que estará em posição de se opor a estas tradições nocivas"

"Uma criança sozinha não pode proteger-se"

"As mulheres africanas são mutiladas, as europeias decidem ir à faca. Aqui, onde tantas pessoas abanam as cabeças em sinal de repúdio pelas nossas práticas bárbaras, as mulheres submetem-se a intervenções cirúrgicas na busca da beleza"

"Quando falamos de África, as pessoas dizem que são homens que o exigem mesmo que sejam as mulheres a fazê-lo. E aqui na Europa? Também aqui as mulheres querem ajustar-se a uma versão idealizada - presumivelmente o ideal masculino - do que é considerado belo. Para quem se não eles são desenhadas estas vaginas de encomenda?"

"O que choca é que os números apontam para um aumento da mutilação genital na Europa"

"A mutilação genital desapareceria de um momento para outro se os líderes das religiões do mundo dissessem: 'A mutilação é contrária aos princípios éticos da nossa comunidade religiosa. Acabem com ela'. Bastavam esta cinco palavras: 'é contra a nossa religião' para pôr fim a este horror"

"Holanda é considerado um país modelo no que toca à tolerância. Aquilo que não for expressamente proibido é permitido"

"A posição do Islão é muito clara. Há um consenso de que a MGF não deve ser praticada. A MGF é um crime contra as mulheres [...]. Não há qualquer referência a esta prática em todo o Corão e muito menos qualquer recomendação para que seja seguida [...]. O Profeta Maomé, que todos os muçulmanos tentam emular, não mandou circuncidar as filhas"

"É vital sensibilizar as pessoas de um modo que não seja interpretado como uma intromissão paternalista dos europeus"

"Os imãs devem pregar contra a MGF com grande convicção nas suas mesquitas. Todos os imãs do mundo deviam seguir este conselho. Se assim fosse, o problema seria rapidamente erradicado"

"É como se a sociedade decidisse que é melhor as crianças viverem com um olho só e, como tal, arrancam o outro olho"

"Ninguém está a ouvir. Porque ninguém suporta ouvir a verdade"

November 4, 2011

A Viagem de Virginia Woolf

Um livro que recomendo vivamente, sempre actual e intemporal.
Gosto de toda a sua obra, desde sempre e muitos dos livros tenho lido e relido, escritos na sua língua materna. Muito sinceramente acho que tem outro "sabor".


Virginia Woolf, é um dos maiores nomes literários femininos de todos os tempos.
A sua importância radica em dois aspectos fundamentais.
De um lado, em que é uma das grandes expressões daquela sensibilidade específica, duramente desenvolvida, que muitos acharam de chamar de "escrita feminina", ou seja, uma literatura que, mais que ser feita por mulheres, é propriametne a expressão de uma sensibilidade feminina radicalmente diferente da masculina.
Por outro, Virginia Woolf insere-se de maneira decisiva entre os pioneiros do romance moderno, experimental, formalmente inovador, ao lado de nomes como Proust, Joyce, Kafka etc.

Sinopse:

«A Viagem é o primeiro romance publicado por Virginia Woolf em 1915. Em grande medida o tema da obra tem algo de um moderno rito de passagem para a maioridade, reflexo da mudança de Woolf da limitadora vida doméstica num subúrbio de Londres para o ambiente estimulante do Grupo de Bloomsbury. A protagonista, Rachel Vinrace, parte para a América do Sul, numa viagem de auto descoberta e Woolf aproveita para satirizar os costumes eduardianos através dos comportamentos dos passageiros. Neste romance estão já presentes as características que mais tarde vão florescer plenamente na obra da autora, uma das mais inovadoras do século XX.»

Além de seus romances, Virginia Woolf é reconhecida também como autora de dois livros feministas de não ficção, o primeiro e mais importante, A Room of One's Own (Um quarto próprio), foi escrito em 1929, baseado em palestras feitas pela autora nos colégios para mulheres de Girton e Newham, é considerado um clássico tanto pelo seu conteúdo como pela qualidade literária. Neste livro, a romancista expressa, com profundidade de emoção, a frustração e a impotência da condição da mulher, particularmente da escritora. Este livro foi seguido pelo ensaio Three Guineas ( Três guinéus ), publicado em 1938. Do primeiro livro, reproduzimos nestas páginas um trecho representativo.

October 30, 2011

Dez Anos Depois de Liane Moriarty

Esta australiana, surpreendeu-me pela Positiva, com este e outros dos seus romances que estão a ser traduzidos e editados na Europa.
Uma história muito bem escrita, muito agradável e que nos faz pensa

Sinopse:
Quando, aos trinta e nove anos, Alice Love dá uma aparatosa queda numa aula de step, a última década da sua vida parece ter-se apagado por completo da sua memória. Tem novamente 29 anos, está apaixonadíssima pelo marido e à espera do primeiro filho. Só há um pequeno problema: tudo isto se passou há dez anos… No presente, Alice é mãe de três filhos, enfrenta um difícil processo de divórcio e está de relações cortadas com a irmã, que adora. Conseguirá alguma vez reencontrar a mulher que foi na fase mais feliz da sua vida? Um romance que nos leva a reflectir sobre o que aconteceria se, de repente, perdêssemos os dez anos mais importantes da nossa vida.

October 28, 2011

Superalimentos de Michael van Straten e Barbara Griggs

Um livro interessantíssimo, com muita informação teórica e prática, com receitas e conselhos muito, mas muito úteis e práticos.


Como gosto muito deste assunto, gostei Imenso deste livro. Recomendo Vivamente.

Aprenda a comer bem para ser saudável! Proteja a sua saúde, controle o seu peso, reforce o seu sistema imunitário e atenue os sintomas da doença através de uma alimentação variada, nutritiva e deliciosa.
Este livro apresenta mais de 100 superalimentos com elevado valor nutritivo, escolhidos devido ao seu elevado teor de antioxidantes e outros nutrientes.


Inclui ainda mais de 180 receitas super-rápidas para preparar em menos de 30 minutos. Tenho experimentado várias e bem boas que são, diferentes.


**** Tenho andado, como sempre a ler e muito, o facto é que não tenho tido tempo para cá passar. No entanto quando dá cá estou.

September 21, 2011

Transgressão de Rose Tremain






Uma análise psicológica sofisticada e, no seu sentido mais puro, um thriller cativante.
The Times

Uma sátira de choques entre culturas, um retrato sumptuoso de um local solitário e os seus habitantes perdidos.
Independent

[O romance] possui a tensão narrativa de um thriller, sendo também preenchido com a acuidade psicológica, o detalhe descritivo e a sabedoria elegante da melhor ficção literária. A sublime Tremain está em muito boa forma.
Daily Mail

A partir de um pretenso idílio, Tremain convocou o espírito do profundamente inquietante e, através da sua melhor escrita, revelou a angústia que pode esconder-se à superfície do nosso quotidiano.
Independent on Sunday

Uma exploração sinistra e cativante da natureza da vingança e do legado da história de uma família destruída.
Marie Claire

Diz a imprensa e eu concordo Excepcional este livro, difícil este livro mas adorei lê-lo e recomendo.



Excertos:
“… quando passamos trinta e quatro anos sozinhos, descobrimos que é difícil suportar a presença de um desconhecido dentro ou, sequer, perto da nossa casa. Não conseguimos deixar de pensar em todo o mal de que ele é capaz.”

Há muito que queria dizer-te isto – lamento o que se passou! Foste a minha princesa… só isso.”


Sem dúvida nenhuma um dos Melhores livros que li nos últimos tempos.


Recomendo Vivamente.


September 12, 2011

A minha casa é o teu coração de Margarida Rebelo Pinto

Este livro foi-me oferecido já tem mais de 1 ano, o facto é que deve mesmo ser o Pior livro que já li.
Esta famosa literatura light, a mim não me convence. Mente aberta tenho sempre, mas sinceramente se esta senhora é a mais vendida em Portugal, caramba estamos mesmo mal, não gostei e continuo a não gostar.
Se calhar o defeito é mesmo meu, mas já não é o primeiro livro desta senhora que me oferecem e de todos a opinião é sempre a mesma, mas este sinceramente ainda achei bem pior.



September 2, 2011

O Sonho do Celta de Mario Vargas Llosa

Este livro é um suspense completo e uma duvida constante, do inicio ao fim. Ño entanto um Maravilhoso livro do inicio ao fim.
O Prêmio Nobel de Mario Vargas Llosa veio no momento certo. (...) O novo romance, O sonho do celta, é uma adição magnífica a uma obra que a Academia Sueca premiou com total acerto." - The Times Literary Suplement
"Uma obra-prima, em que a documentação histórica se alia à audácia e à genialidade do novo Nobel." - ABC, Espanha.
"Um romance excepcional." - El País
Em O sonho do celta, Mario Vargas Llosa volta à forma do romance histórico para narrar a saga de Roger Casement, um personagem complexo, muitas vezes controverso. Irlandês a serviço do Império Britânico, Casement conheceu a violência da colonização na África e na América do Sul no começo do século XX. Ao denunciar os abusos e os maus-tratos contra colonos, passou a valorizar a liberdade acima de tudo. E, em nome da liberdade, voltou-se contra seu próprio governo.
Em 1916, encarcerado em um presídio de segurança máxima em Londres, Roger é acusado pelo governo inglês de alta traição e aguarda sua sentença. Apenas cinco anos antes, havia sido nomeado Cavalheiro. Agora, abandonado por quase todos os amigos, difamado pela opinião pública, corre o risco de ser executado.
Vargas Llosa recria a jornada de Casement - das atrocidades no Congo Belga, passando pela exploração da borracha na Amazônia, até a luta pela independência da Irlanda - num livro que fala essencialmente sobre coragem e superação.
Para o autor, este é também um livro que fala sobre como "certas circunstâncias desumanizam os homens até transformá-los em monstros": "No Peru ocorreu o mesmo que aconteceu no Congo, com o sistema de extração de borracha. Cometiam-se as maiores atrocidades sob a mais absoluta impunidade. É como uma espécie de imersão no mal. Casement viu tudo isso de perto, mas conseguiu manter distância e se proteger da loucura escrevendo e documentando o que via", analisa o escritor em entrevista ao jornal El País.
Segundo Vargas Llosa, o nacionalismo fervoroso de Casement, característica incomum em seus heróis literários, reflete o aspecto mais idealista do termo: "Sempre tive horror dessa forma de fanatismo. O nacionalismo me parece a pior construção do homem. E o caso mais extremo de nacionalismo é o cultural, ainda que em certas circunstâncias ele possa representar valores libertários."
Vargas Llosa reconhece que em certas "civilizações esmagadas", que aspiram a libertar-se de seus colonizadores, o nacionalismo tem um valor positivo. "Mas ele é perigoso quando se converte em uma ideologia. Aí, pode significar violência, prejuízos, distorção de valores. Casement incorporou o lado mais idealista, que é o que luta contra o opressor."

August 11, 2011

Derrocada de Ricardo Menéndez Salmón

Li em português e espanhol e devo dizer que primeiro detestei, mas como insisti na leitura, acabei por me tornar indiferente e cada vez mais o choque inicial foi ficando mais e mais diluído.

Mas no final um livro inesperado, até mesmo e de certeza uma trilogia inesperada.

O mal só pelo mal, este escritor mantém aqui o alto nível, escrita dura, frases curtas, escrita concisa e até ás vezes chocante, ao longo desta trilogia .

Nos outros livros a escrita é assim mais para o subtil, mas neste chega a um ponto que já se torna indiferente, pelo menos para mim foi assim, arriscando-me com este comentário a dar impressão de frieza da minha parte, mas realmente foi o que aconteceu e ao inicio é mesmo uma relação Amor – Ódio, genuína e real.

Pesa em seu favor ser um livro muito rápido de se ler e que nos faz reflectir e muito, sobre tantos aspectos tão actuais na vida de hoje.

Derrocada é o segundo volume da Trilogia do Mal, de Ricardo Menéndez Salmón, iniciada com a obra A Ofensa, que a Porto Editora já publicou. Uma terrível ameaça recai sobre Promenadia, uma pacata cidade costeira. O Mal irrompe sob a forma de um assassino em série, que seduz vítimas e verdugos, actores e espectadores, transformando-se na sombra da comunidade. Os pilares de uma sociedade de escassos valores são infectados pela chaga do Terror - um prenúncio da derrocada - a que ninguém, nem mesmo Manila, o cismático polícia encarregado da investigação dos vários crimes, fica imune. Quem é vítima e quem é carrasco? Um homem perverso que não tem nada a perder; duas famílias que crêem ter perdido tudo; três jovens que encontram na violência uma forma de expulsar o tédio. Em Derrocada, a única justiça é o horror, a única vocação é a atracção pelo Mal. Depois do êxito de A Ofensa, considerado um dos grandes livros espanhóis de 2007, Ricardo Menéndez Salmón regressa com um romance perturbante que o confirma como um dos grandes nomes da jovem literatura espanhola.

Ricardo Menéndez Salmón Licenciado em Filosofia pela Universidade de Oviedo (Gijón, 1971) era já autor de uma obra diversificada quando, em 2007, com a publicação de A Ofensa, se transformou numa das referências da nova literatura espanhola.

Derrocada veio a lume em 2008, seguindo-se-lhe, em 2009,

El corrector, que a Porto Editora irá também traduzir para português, mas que eu li na sua língua paterna.

Excerto:
"O mal encontra justificação na sua existência. O mal não precisa de prova ontológica, nem de redução ao absurdo, nem de fé ou de profetas. O mal é a sua própria expectativa. A minha vida ensinou-me que é o bem que precisa de justificação. É o bem que precisa de um porquê, de uma causa, de um motivo. É o bem que, na realidade, constitui o mais profundo dos enigmas."

July 20, 2011


Ando sumida porque fui de férias, depois mais trabalho e mais trabalho, enfim... preparando para voltar.

No entanto aproveito para informar as anónimas, mal amadas que por cá vêm, que não vale mesmo a pena insultar, estão a perder o vosso tempo, aproveitem melhor o mesmo para coisas Positivas.
Eu sou mesmo casca dura e como já são muitos anos ... passo a expressão a "virar frangos", é um desperdício de energia e tempo.

June 20, 2011

D. Urraca de Amalia Gómez

A mulher que, sem coroa, determinou o destino de um reino.

Num momento crucial da história espanhola, brilhou com luz própria a figura apaixonante de D. Urraca, irmã de Afonso VI e tia-avó de D. Afonso Henriques. Mulher culta com uma visão para além do seu tempo. É-lhe atribuído um romance com El-Cid e a suspeita de ter assassinado o Rei seu irmão. Bom Bom, Adorei e recomendo vivamente :)

May 12, 2011

O Homem de Sampetersburgo de Ken Follett

Simplesmente Maravilhoso.
Adoro este escritor.
Recomendo Vivamente :)

May 3, 2011

Conversas de Manhã e de Tarde de Naguib Mahfouz

Naguib Mahfouz, famoso escritor egípcio galardoado com o Nobel da Literatura. 'Conversas de Manhã e de Tarde' é uma história de dimensões épicas que retrata a vida no Egipto ao longo de cinco gerações.

Situada no Cairo, a história acompanha o percurso de três famílias desde a chegada de Napoleão no fim do século XVIII até aos anos 80, através dos depoimentos de personagens dispostos por ordem alfabética. Este mecanismo narrativo experimental cria uma espécie de dicionário biográfico, cujas entradas individuais se unem para pintar um retrato impressionante da vida no Cairo através de vários pontos de vista.

Naguib Mahfouz nasceu no Cairo em 1911. Modernizou a literatura árabe, sendo considerado um dos seus maiores vultos. Foi o único escritor de língua árabe a ser galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. Publicou 34 romances, mais de 350 contos, dezenas de argumentos cinematográficos e cinco peças ao longo de uma carreira de mais de 70 anos. Viveu com a mulher e as duas filhas na sua cidade natal até falecer, em 2006 .

Muito bom mesmo, adoro este escritor e este é um romance que parece que estamos a ler o obituário de toda uma civilização. Mas que obituário e Que civilização, numa só palavra triunfante.

Recomendo Vivamente.

April 4, 2011

A Casa do Pó de Fernando Campos

Uma delicia simplesmente Maravilhosa este livro. Cativante e envolvente do principio ao fim. Com uma trama cheia de mistério e com um humor muito subtil, que eu pessoalmente adoro. Recomendo vivamente. Um homem que desconhece a sua ascendência e origem. Só um medalhão que traz ao peito desde sempre o pode levar a descobrir quem é. Um enigma humano e verdadeiro passado em Portugal no século XVI. Romance histórico nas rigorosas reconstituições factuais e locais, no recorte de muitas das figuras que atravessam a cena, ficção na intriga e no delineamento de personagens inteiramente criadas ou apenas recriadas, A Casa do Pó tem como pano de fundo um drama ocorrido em Portugal no séc. XVI protagonizado por membros da mais alta nobreza das cortes de D. Manuel I e D. João III. Drama envolto em mistério, teve o condão de apaixonar a opinião pública da época e de inflamar a pena de escritores coevos ou posteriores. A Casa do Pó lança sobre os factos uma curiosa hipótese que, não podendo ser mais do que isso à míngua de documentos, é verosímil, hábil e logicamente tecida. A acção estende-se por Portugal, Espanha e toda a bacia mediterrânica dominada por Venezianos e Turcos, até à Palestina e nela se sucedem episódios cheios de lirismo, de crueldade e de aventura. Um humor delicado e uma boa dose de « suspense » à maneira dos bons policiais são outras marcas do texto. Mas o autor, ele mesmo o escreve em nota final, não pretendeu apenas fazer uma mera «incursão pelo chamado romance histórico. O que aí está são velhos problemas da humanidade que, vindos de há séculos, ainda hoje persistem nos mesmos cenários e saltam para outros mais alargados e vastos.» «A Casa do Pó é um romance sem padrinhos. Fernando Campos, o seu autor, é um homem que durante dez anos persistiu na demanda do enigma de Frei Pantaleão, franciscano no Itinerário da Terra Santa. O enigma resistiu à investigação mas a ficção portuguesa ganhou um romance extraordinário, melhor entre os melhores.» Expresso «Fernando Campos sai cá para fora com um excelente romance (…) E excelente porque o autor soube sacudir as estruturas do romance histórico, insuflando-lhe um sopro inventivo que é a marca da modernidade e, porque não acrescentar, do talento próprio, pessoal e intransmissível…» O Jornal Excertos: “... dentro havia um pedacinho de tecido desbotado e quase a desfazer-se. Retirei-o com cuidado. No fundo da pequena caixa estava gravado um enigmático desenho: um pelicano com uma estrela de cinco pontas no peito. No verso da tampa, em bem visível incisão, pude ler o seguinte:

XXVIJ . IUL LHO . M.D. XXVJ. “ “ Em vez de pernas, tem vossa paternidade as asas do pensamento que permitem os voos altos das águias, ao passo que nós rastejamos como pobres vermes ... “

March 23, 2011

O Leopardo de Giuseppe Tomasi di Lampedusa

Ainda me lembro quando o li pela primeira, vez andava eu de dicionário na mão a aprender a falar e escrever italiano e não entendia metade das coisas que lia, só mesmo numa segunda vez é que a coisa começou vislumbrar algo.
Um desafio constante a língua italiana.

Esta versão em português está muito bem traduzida e recomendo vivamente, aqui as palavras parece que têm cores, cheiros e sabores.
Uma escrita fantástica e altamente recomendável, assim como o filme.

O Leopardo é um dos clássicos do romance do século XX, imortalizado no cinema por Luchino Visconti.
O romance passa-se na Sicília, na época da reunificação italiana, quando os ventos de uma nova ordem, que arrastam consigo as incertezas e os temores que qualquer revolução sempre implica, atingem a Sicília vindo perturbar um sistema há séculos imutável.
Don Fabrizio, príncipe de Salina, vai enfrentar esses novos ventos com a força e uma inteligência que lhe permitem afirmar tranquilamente:
" É preciso que alguma coisa mude, para que tudo fique na mesma". Com esta filosofia, Don Fabrizio, personagem de uma extraordinária dimensão, vai conduzir a sua família através desses tempestuosos tempos, mantendo o essencial da sua forma de vida.

O romance, riquíssimo na complexa moldagem das personagens, analisa com um extremo rigor os ambientes, o tempo histórico e os próprios comportamentos humanos, de uma forma simultaneamente lírica e critica.
A tradução é de José Colaço Barreiros, responsável por muitas das melhores traduções do italiano publicadas no nosso país nos últimos anos.

Excertos:
"Basta dizer que o orgulho e a análise matemática se tinham unido a tal ponto que lhe davam a ilusão de que os astros obedeciam aos seus cálculos..."

" É preciso que alguma coisa mude, para que tudo fique na mesma".
Com esta filosofia, Don Fabrizio, personagem de uma extraordinária dimensão, vai conduzir a sua família através desses tempestuosos tempos, mantendo o essencial da sua forma de vida.

March 15, 2011

O Aleph de Paulo Coelho

Digam o que disserem deste senhor e do nome dos seus livros, não quero nem saber, eu sou fã incondicional e este livro é simplesmente daqueles, que desejamos que nunca mais acabe.
E já estou pronta para o próximo :)

No estudo dos alfabetos vamos ver que o aleph ou alef, é a primeira letra de vários sistemas de escritas, como o alif do alfabeto árabe e o aleph do alfabeto fenício. O aleph fenício deu origem ao alpha grego, significando a consoante “a” . Do alpha veio o A latino e o A cirílico.

A origem do nome aleph é o desenho de um touro, ou aluf em hebraico antigo. Normalmente simboliza o começo de algo. Não possui sonorização e é utilizada apenas para indicar uma vogal sem acompanhamento de uma consoante. Na crença da Cabala o Alef tem seu papel fundamental em toda a mística.

Deparar com a possibilidade de conhecer o ponto do espaço que abarca toda a realidade do universo num só local.

O fundador da arte marcial conhecida como Aikido, Morihei Ueshiba dizia:

“A busca da paz é uma maneira de rezar, que termina gerando luz e calor. Esqueça um pouco de si mesmo, saiba que na luz está a sabedoria, e no calor reside a compaixão. Ao caminhar por este planeta, procure notar a verdadeira forma dos céus e da terra; isso é possível se você não se deixar paralisar pelo medo, e decidir que todos os seus gestos e atitudes corresponderão àquilo que você pensa.”
Se você confiar na vida, a vida confiará em você.

William Blake costumava dizer:
“podemos ver o infinito em um grão de areia, e a eternidade em uma flor”.
Na verdade, basta um simples momento de harmonia interior para que isso aconteça.
O grande problema reside aí: quase nunca nos permitimos atingir este estado – o momento presente em toda a sua glória.

Para Paulo Coelho, o Aleph é um ponto que contém todo o universo e que nos transporta a outra dimensão, em busca de uma resposta. Na obra, o autor descreverá uma grave crise de fé, o que faz buscar — talvez tudo — o caminho da renovação e do crescimento. Memorável este livro.

Excertos e frases:
"Viva apaixonadamente, com todos os ferimentos que isso pode acarretar: vale a pena."
"Lutar contra coisas que só passam com o tempo é desperdiçar energia. "
"Não viva pedindo permissão. Se não funcionar, depois você pede desculpas. "
"Não estou buscando a paz. Busco o amor, um estado de eterno conflito. "
"É muito fácil detestar tudo. Eu procurei o caminho mais difícil: amar."
"Você não pode evitar a dor, mas pode evitar que ela dirija sua vida."
Paulo Coelho in O Aleph

March 4, 2011

Marina de Carlos Ruiz Zafón

Carlos Ruiz Zafón nasceu em Barcelona em 1964. Inicia a sua carreira literária em 1993 com El Príncipe de la Niebla (Prémio Edebé), a que se seguem El Palacio de la Medianoche, Las Luces de Septiembre (reunidos no volume La Trilogía de la Niebla) e Marina. Em 2001 publica A Sombra do Vento, que rapidamente se transforma num fenómeno literário internacional. Com O Jogo de Anjo (2008) regressa ao Cemitério dos Livros Esquecidos. As suas obras foram traduzidas em mais de quarenta línguas e conquistaram numerosos prémios e milhões de leitores nos cinco continentes. Actualmente, Carlos Ruiz Zafón reside em Los Angeles, onde trabalha nos seus romances, e colabora habitualmente com La Vanguardia e El País.

A história inesquecível que precedeu “A Sombra do Vento”.

Simplesmente Maravilhoso, recomendo vivamente.
Sou fã incondicional deste escritor e então este livro é daqueles que vou ler e reler.
Uma delicia.

Sinopse:
Na Barcelona de 1980, Óscar Drai sonha acordado, deslumbrado pelos palacetes modernistas próximos do internato onde estuda. Numa das suas escapadelas nocturnas conhece Marina, uma rapariga audaz e misteriosa que irá viver com Óscar a aventura de penetrar num enigma doloroso do passado da cidade e de um segredo de família obscuro. Uma misteriosa personagem do pós-guerra propôs a si mesmo o maior desafio imaginável, mas a sua ambição arrastou-o por veredas sinistras cujas consequências, alguém deve pagar ainda hoje.

«... desapareci do mundo durante uma semana. No espaço de sete dias e sete noites, ninguém soube do meu paradeiro.»
«Marina disse-me uma vez que apenas recordamos o que nunca aconteceu. Passaria uma eternidade antes que compreendesse aquelas palavras. Mas mais vale começar pelo princípio, que neste caso é o fim.»

«Não sabia então que oceano do tempo mais tarde ou mais cedo nos devolve as recordações que nele enterramos. Quinze anos mais tarde, a memória daquele dia voltou até mim. Vi aquele rapaz a vaguear por entre as brumas da estação de Francia e o nome de Marina tornou-se de novo incandescente como uma ferida fresca.

«Todos temos um segredo fechado à chave nas águas-furtadas da alma. Este é o meu.»

«... a luz era uma bailarina caprichosa e conhecedora dos seus seus encantos. Nas suas mãos, a luz transformava-se em linhas maravilhosas que iluminavam a tela e abriam portas na alma. »

February 9, 2011

Conversa n’A Catedral de Mário Vargas Llosa


Jorge Mario Vargas Llosa (Arequipa, 28 de março de 1936) é um escritor, jornalista, ensaista e político peruano, laureado com o Nobel de Literatura de 2010.
Doutorado em Filosofia e Letras, em 1971, na Universidade de Madrid.
Sua obra critica a hierarquia de castas sociais e raciais, vigente ainda hoje, segundo o escritor, no Peru e na América Latina. Seu principal tema é a luta pela liberdade individual na realidade opressiva do Peru. A princípio, assim como vários outros intelectuais de sua geração, Vargas Llosa sofreu a influência do existencialismo de Jean Paul Sartre.
Em 7 de outubro de 2010 foi agraciado com o Prêmio Nobel da Literatura pela Academia Sueca de Ciências "por sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual". O presidente do Peru, Alan García, considerou o prêmio a Llosa como "um reconhecimento a um peruano universal"

O seu terceiro romance, foi Conversa n’A Catedral de Jorge Mário Vargas Llosa
Sentados a uma mesa da taberna A Catedral, o jornalista Santiago Zavala conversa com o seu amigo Ambrosio. Estamos em Lima, na época ditatorial do general Manuel A. Odría (1948-1956), e dessa conversa acompanhada de cerveja emerge um Peru cruel, corrupto, desesperançado, matéria-prima ideal, portanto, para um romance que só um grande jornalista e escritor como Vargas Llosa poderia ter produzido.

Uma história esplêndida que reúne muitos dos ingredientes que fizeram a fama do autor peruano - as críticas ácidas, a irreverência, a rebeldia e o humor sarcástico.

Conversa n’A Catedral é a crónica de uma ditadura e da resistência possível graças à palavra. Uma aguda reflexão sobre a identidade latino-americana e sobre a perda da liberdade.

Um romance que, mais do que um marco na carreira literária do autor, é um ponto de referência inevitável na história da literatura universal.

O processo narrativo deste senhor é espectacular logo na primeira página.
E por acaso eu que tenho o hábito de muitas vezes sublinhar e fazer anotações nos livros, neste não fiz quando li por falta de caneta imaginem... eh eh ...

Cá fica um excerto que retirei da net, que bem poderia ser meu.

February 4, 2011

Os Papéis de Rachel de Martin Amis

Quando publicou o seu primeiro romance, Martin Amis tinha 24 anos.
Em Os Papéis de Rachel, Charles Highway é o jovem precoce, inteligente e altamente sexuado, que lida com raparigas como o faz com a literatura — de forma sistemática. Enche pastas e pastas com observações, estudos e outras maneiras de levar mulheres para a cama.
O livro de estreia de Amis pode funcionar como um contraponto da sua mais recente obra, a Viúva Grávida (publicado pela Quetzal), em que se rememoram e dissecam os costumes (leia-se, os comportamentos sexuais) dos anos que iniciaram a década de 1970, à distância e com o desassombro de uma idade avançada. Acolhido pela crítica com grande entusiasmo, Os Papéis de Rachel introduz temas e personagens que vão perpassar toda a ficção de Martin Amis e revela já, tão prematuramente, o génio e o brilhantismo da sua prosa.


Martin Amis (Oxford, 25 de Agosto de 1949) é um escritor britânico.
Filho do escritor Sir. Kingsley Amis (que quanto a mim sempre quis suplantar, mas acho que existe lugar para os dois), estudou na Inglaterra na Faculdade de Exeter (Oxford), na Espanha e nos Estados Unidos da América.
A obra de Martin Amis sofreu grande influência da obra dos escritores Saul Bellow (de quem foi amigo pessoal) e Vladimir Nabokov.

Este é um escritor que tem um gozo imenso de virar tudo do avesso com um enorme estrondo e estilo. E é algo que se vê notoriamente ao longo da sua escrita.

Adoro quando ele diz a certa altura numa Maravilhosa e Deliciosa entrevista ao Expresso:
“Os bons escritores são engraçados porque a vida é engraçada.”
“As polémicas comigo têm sempre muito mais impacto.”

Gosto da maneira como escreve, por vezes até meio crua, mas bem real.

February 1, 2011

Casa do Campo de José Donoso

" Uma obra magistral, considerada uma das obras-primas da literatura sul-americana.
Prémios Nacional de Literatura e da Crítica de Espanha

«Um dos escritores contemporâneos mais importantes em língua espanhola.»
Mario Vargas Llosa

Ambientado no século XIX, este magnífico romance retrata os acontecimentos passados num dia muito especial de uma mansão senhorial. A ausência inesperada dos proprietários adultos origina que as crianças assumam o controlo da casa e, juntamente com os servos e indígenas que trabalham nas minas da propriedade, a transformem em domínio erótico e febril. Esta festiva irrupção de pulsões reprimidas propiciará uma ruptura radical com a ordem social e a instauração de um novo mundo mágico, anárquico, exuberante, mas igualmente doloroso.
Expoente máximo da narrativa latino-americana contemporânea, «Casa de Campo» constitui uma parábola moral sobre a sociedade humana, comparável ao famoso romance «O Senhor das Moscas» de W. Golding.
José Donoso nasceu em Santiago do Chile em 1924 e morreu a 7 de Dezembro de 1996. Foi escritor, professor e jornalista. Considerado um dos maiores nomes da literatura sul-americana recebeu o Prémio Nacional de Literatura em 1990. "

Muito Bom mesmo.

January 26, 2011

A Videira do Desejo de Chitra Banerjee Divakaruni



“ Prazer e criatividade através de um excelente romance. Um romance que reúne as personagens de "Irmã da Minha Alma".
Explora os laços emocionais entre as duas amigas de infância, Anju e Shuda, e de como a sua relação corre perigo quando o marido de uma se sente perigosamente atraído pela outra. Como em obras anteriores Chitra Banerjee Divakaruni explora a psicologia feminina, a procura de uma identidade própria e livre de preconceitos e falsas obrigações, ao mesmo tempo que observa o choque cultural que experimentam as suas personagens num país estranho e transporta para o Ocidente figuras e lendas do Oriente. A Videira do Desejo é um romance de extraordinária profundidade e sensibilidade que delicia e enfeitiça o leitor até à última página.”

Simplesmente Adoro os livros desta Srª a sua visão do universo feminino é realmente sempre um a caixinha de Surpresas a cada página que se lê.
Depois de A Senhora das Especiarias que Adorei também, este é um livro Espectacular, infelizmente a escritora é muito pouco conhecida em Portugal. No entanto Recomendo e muito.

Excerto:

“ ... deu à luz com sucesso. Que a democracia no Haiti foi restaurada sem o disparar de um único tiro. O que é mais importante? O que é menos? Os mortos batem palmas ritmando solenemente a canção do velho. O planador toca na plataforma de aterrissagem e faz um barulho raspado e triunfante. A mulher no chão abre os braços à que estava no céu. É isto que se faz com a dor.
Os mortos são gotículas de água do mar e cinza, esvoaçando pelo ar.
Estarão a erguer-se? Estarão a cair? Olhem, não há diferença. A curvatura da terra é como um sorriso. O velho canta, Ó chuva, vem, estou à tua espera há tanto tempo. “

January 25, 2011

Sempre Vivemos no Castelo de Shirley Jackson

Esta escritora herdeira da grande tradição do gótico americano, iniciada com Edgar Allan Poe.
Polémicas à parte, sempre gostei do que esta senhora escreveu e este livro não é excepção.

«Chamo-me Mary Katherine Blackwood. Tenho dezoito anos e vivo com a minha irmã Constance. É frequente pensar que se tivesse tido um pouco de sorte poderia ter nascido lobisomem, porque o anular e o dedo médio das minhas mãos têm o mesmo comprimento, mas tive de me contentar com aquilo que tenho. Não gosto de me lavar, nem de cães ou barulho. Gosto da minha irmã Constance, de Ricardo Coração de Leão e do Amanita phalloides, o cogumelo da morte. Todas as outras pessoas da minha família estão mortas.»

Assim inicia Shirley Jackson o seu último romance, de 1962, considerado pela crítica uma das obras-primas da literatura norte-americana. Neste, atinge o auge a sua perícia narrativa de tornar real ao leitor um mundo inverosímil, conseguindo ao mesmo tempo convencê-lo de que a loucura e o mal habitam os cenários mais comuns.

January 23, 2011

O Terrorista de Berkeley, Califórnia de Pepetela

Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, conhecido pelo pseudónimo de Pepetela, (Benguela, 29 de Outubro de 1941) é um escritor angolano. A sua obra reflete sobre a história contemporânea de Angola, e os problemas que a sociedade angolana enfrenta.

Uma novela que confirma a excelente capacidade de Pepetela em se reinventar permanentemente em novos territórios e abordagens.

Excerto :
"E ele gostava de ficar sentado algum tempo, encostado a um tronco, olhando a enorme baía em toda a sua extensão e pensando na vida. Por vezes conversava com um esquilo mais atrevido que vinha lhe pedir comida, entrevistava bandos de codornizes, cada vez mais raras, é preciso que se diga, ou até descobria alguma esquiva corça. E entendia naquela paz, com o barulho dos carros e das cidades muito lá ao longe, o contraste profundo da sua terra representado pela visão de abertura e progressista da ponte Golden Gate ao fundo e a visão da terrífica prisão de Alcatraz no rochedo isolado do meio da baía, de onde só uma vez tinham escapado dois ou três presos, tão monstruosamente concebida fora. A Golden Gate e Alcatraz tinham sido realizados pelo mesmo povo, o seu."


Uma Maravilha mesmo, eu simplesmente ou fã de Pepetela.

January 21, 2011

O Rapaz do Pijama às Riscas de John Boyne

Simplesmente Adorei este pequeno livro, faz-nos pensar e muito.
Como muitas vezes somos mesmo vitimas da nossa própria inocência.

January 19, 2011

O Rapaz de Olhos Azuis de Joanne Harris

Amei “Chocolate” o 1º livro que li desta senhora e outros também, mas sinceramente este Livro que me ofereceram no Natal, deve ter sido mesmo o pior livro que li em 2010.
Custa-me dizer isto, mas de facto Um Horror, muito aquém das expectativas.

December 28, 2010

A Derrocada da Baliverna de Dino Buzzati

O italiano Dino Buzzati (1906-1972) tornou-se mundialmente conhecido em 1940 quando publicou O Deserto dos Tártaros, romance alegórico que Camus adaptou a teatro e Zurlini levou ao cinema, e que está de volta às livrarias portuguesas (a edição de 2005 esgotou) em simultâneo com a recolha de contos A Derrocada da Baliverna. Jornalista e escritor, além de pintor, Buzzati escreveu libretos de ópera, crónica, teatro, poesia e ficção, área em que se notabilizou: cinco romances e cerca de uma centena de contos fizeram dele um nome incontornável da literatura europeia do século XX.
Apontado pelo público e pela crítica como um dos livros mais conseguidos na carreira de Dino Buzzati
Na história que dá o título ao livro, um homem vulgar decide-se a escalar clandestinamente a parede da Baliverna, um velho mosteiro degradado e transformado em refúgio de vagabundos e bandidos.
Essa acção imponderada é punida com a derrocada de todo o edifício, provocando o terror do castigo subsequente. Em «Encontro com Einstein», descobrimos que é o próprio Diabo quem secretamente incentiva as descobertas científicas do génio. Em histórias como «Rigoletto», ou «A Máquina» são os próprios objectos, as máquinas modernas, que em confronto com o mundo dos mitos e da natureza, assumem uma personalidade autónoma que incarna todos os aspectos negativos do Homem: vaidade, inveja e crueldade.
Assim é o terceiro volume de contos publicado pelo autor (depois de «Os sete mensageiros» e «Pânico no Scala»), «A derrocada da Baliverna», é apontado pelo público e pela crítica como um dos livros mais conseguidos na carreira de Dino Buzzati.

Críticas de imprensa
«Autor de uma obra que questiona o poder e indaga o sentido da vida, Buzzati, um verista por excelência, tem sido com frequência associado ao realismo fantástico graças ao estranhamento que nimba tantas das suas histórias. [...]em Buzzati predomina uma acédia temperada pela dura realidade. O seu estilo é o de quem acredita nas virtualidades da palavra, um estilo seco, isento de malabarismo, recortado com a precisão cirúrgica de uma reportagem pautada por grande objectividade.»
Eduardo Pitta, Público
«Um génio da literatura do séc. XX»
Kirkus Review
«Extravagante, provocador, brilhante.»
Lire

Admirável, em quase todos os contos, é o sorriso de inquietação, a apreensão e o espanto, a contenção, a capacidade de prender o leitor - a certa altura quase se adivinha o desfecho final, quase... Mas Buzzati guarda sempre uma surpresa. Ou nem tanto assim. Afinal, «o lado negro da força» vence, sempre, sem redenção.

José Ferreira (Outubro, 2008)
Faço minhas estas sábias palavras, muito Bem mesmo :)

December 22, 2010

Bala Santa de Luís Miguel Rocha

Uma Agradável surpresa e nesta altura até o nome vem mesmo a calhar, eh eh... já o tinha há imenso tempo mas ainda não tinha conseguido ler.

Luís Miguel Rocha (Porto, Fevereiro de 1976) é um escritor português que se tornou bestseller do New York Times em 2009.
Foi estudante de Humanidades até ao 12º ano.
Começou a sua vida profissional como técnico da produtora que era responsável pelas missas da TVI, aos vinte anos de idade. Supervisionou guiões para produtores ingleses e nacionais e foi tradutor de livros e contos já publicados. Actualmente, dedica-se apenas à escrita.
Os seus livros são sucessos internacionais.
Em O Último Papa, expõe uma teoria sobre a misteriosa morte de Albino Luciani, o Papa João Paulo I, envolvendo a loja maçónica italiana Propaganda Due (Loja P2, Propaganda Dois) e outras agências secretas internacionais, como a CIA.
Na sequela deste livro, Bala Santa, Luís Miguel Rocha mostra uma outra tese, desta vez relacionada com o atentado a Karol Wojtyła, o Papa João Paulo II.

Sinopse :

Que acontecimentos estiveram por detrás da tentativa de assassinato do Papa na praça do Vaticano em 1981?
Quem é, e o que sabia verdadeiramente Alia Agca, o turco que disparou contra João Paulo II?
Que forças ocultas gerem os destinos da igreja católica e conseguem nomear e destronar Papas, ocultando impunemente as suas acções?
Uma jornalista internacional, um ex-militar português, um muçulmano que vê a Virgem Maria, uma padre muito pouco ortodoxo que trabalha directamente sob as ordens do sumo-pontífice, vários agentes dos serviços secretos mais influentes do mundo e muitos outros personagens dos quatro cantos do globo, envolvem-se numa busca pela verdade e descobrem que ela nem sempre é útil. Pelo menos não o foi para João Paulo II.

Excerto:

«Nenhuma bala pode matar se essa não for a Sua vontade.»

December 6, 2010

O Instrumento das Trevas de Douglas Preston e Lincoln Child

“ Um novo romance da sempre surpreendente dupla Douglas Preston e Lincoln Child!
Aloysius Pendergast arrasta a sua jovem protegida Constance Greene para uma viagem, na esperança de a fazer esquecer as horríveis experiências que viveu. Num remoto mosteiro do Tibete procuram reencontrar a paz de espírito e Pendergast aproveita o tempo para se dedicar ao treino das artes marciais e a diversos exercícios de meditação. Em troca, o monge que os acolheu acaba por lhes confiar o encargo de recuperar uma preciosa relíquia, que o mosteiro tem à sua guarda desde tempos imemoriais, desaparecida misteriosamente. Pendergast aceita a missão, preocupado com a possibilidade de que este objecto raro e perigoso caia nas mãos erradas e leve à destruição da humanidade. Uma pista acaba por conduzi-los à viagem inaugural de um luxuoso paquete, o Britannia, e a uma travessia do Atlântico marcada pelo terror.
O Instrumento das Trevas retoma, com incomparável mestria, o tema clássico do confronto do bem e do mal, do Oriente e do Ocidente, do acaso e do destino.”

Para os fãs do bom mistério, realmente estes dois escritores são do melhor que existe.
Não existe nenhum livro destes escritores que me escape e este que li recentemente, durante uma viagem que fiz, é realmente Fenomenal e Fascinante.
Gosto e leio sempre em inglês.
É do tipo de livro que nos prende e queremos sempre saber o que a folha seguinte nos trás.

Constance Greene (muito parecida á Prosérpina de Rossetti (cá fica o Link para quem não conhece: http://en.wikipedia.org/wiki/Proserpina + http://pt.wikipedia.org/wiki/Pers%C3%A9fone e quem tiver oportunidade de visitar a Tate Gallery, cá fica o link: http://en.wikipedia.org/wiki/Tate_Gallery , em Londres, pode então ver esta e outras maravilhas ao vivo e a cores) com diz Mayles no livro a Miss Green)
e
Aloysius Pendergast, uma dupla Maravilhosa.


"Todos os que habitavam em Olimpo foram enfeitiçado por esta menina [Perséfone], rivais no amor a menina casar, e Hermes ofereceu seus dotes para uma noiva. E ele ofereceu a sua vara como dom para decorar seu quarto [como preço da noiva para a mão dela em casamento, mas todas as ofertas foram recusadas por sua mãe Deméter].

— 'Nonnus' Dionysiaca 5.562 "

December 1, 2010

Baudolino de Umberto Eco

Lindoooo Lindodoooo
O Nome da Rosa e todos os outros, Fenomenais sou fã de Eco e este livro então Maravilhoso.
Uma ficção que se lê Maravilhosamente e que encanta qualquer um. Eu pessoalmente adoro :) .

November 30, 2010

Kafka à beira-mar de Haruki Murakami

Sou fã deste escritor, Maravilhoso este livro como todos os outros que tão bem escreve.
Fascinante, Intrigante e Simplesmente Divino:

“... fujo de casa e sigo viagem até uma cidade distante, e ficarei aí a viver, num canta de uma pequena biblioteca qualquer”.

Este excerto sempre combinou comigo na 1ª vez que o li em 2002.
Não sou muito de reler livros, no entanto existem alguns que me fazem voltar e que me fazer pensar e repensar tantas coisas :) .

November 22, 2010

Os Filhos do Nosso Bairro de Naguib Mahfouz

Encantadora a forma como este senhor escrevia, sim porque morreu em 2006.
Este livro fez-me lembrar o Egipto da forma mais cruel que existe.
É um livro, por vezes bem pesado.

No entanto é uma escrita encantadora e maravilhosa.

October 27, 2010

O Vendedor de Saris de Rupa Bajwa


"Descrição da editora

Galardoado com o Commonwealth Writer’s Prize para o melhor primeiro romance de 2005.

Começa mais um dia de trabalho em Amritsar. Ramchand está mais uma vez atrasado e corre pelas vielas em direcção a uma loja de saris situada no coração de um dos mais antigos bazares da cidade. É aí que passa os dias, entre o algodão do Bangladesh e as sedas de Benares, enrolando e desenrolando metros e metros de tecidos coloridos para as mulheres e as filhas das famílias endinheiradas. Órfão desde os seis anos, Ramchand tem agora vinte e muitos e é um solitário cuja vida gira à volta do trabalho. Mas a sua rotina sofre uma reviravolta inesperada quando é enviado a casa da família do empresário Kapoor para ajudar a sua filha Rina a escolher saris. Ramchand lida todos os dias com clientes ricos mas nunca tinha estado em casa de um deles, e, ao vislumbrar um mundo tão diferente do seu, descobre todo um novo horizonte de possibilidades. E assim, armado com um dicionário inglês, duas velhas gramáticas, um par de meias novas e uma barra de sabão, tenta recapturar a esperança que a sua infância tinha prometido. Mas o que o move não é a ascensão social ou a ambição; pela primeira vez na sua vida, Ramchand começa a olhar o mundo à sua volta com um olhar crítico em vez de aceitar tudo sem questionar. Mas está longe de imaginar que esse universo cintilante do qual quer fazer parte é um território cheio de luzes e sombras que testará a sua capacidade de sobrevivência. "


Um Livro muito bem escrito, por uma jovem escritora, no entanto mostra outra face da Índia, bem desconhecida.
Sou fã da Índia, mas não a comercial, mas sim a parte que os turistas que lá vão, na maior parte das vezes nem vêem.
Adoro a Índia rural, é um pais mágico, cheio de contrastes, pessoas simples e tão simpáticas que se contentam com tão pouco. Adoro saris definitivamente, são Lindosssss.
Enfim uma outra realidade bem diferente da nossa.
No entanto é um livro muito agradavél de ser lido.

October 14, 2010

A Papisa Joana de Donna Woolfolk Cross

Maravilhoso, simplesmente fascinante este livro, sobretudo pelo facto de se basear num caso verídico, que pouco se conhece. Magnificamente escrito e com um rigor histórico fenomenal. Amei ler e recomendo este livro, que me cativou e fascinou completamente.
Vamos é ver se o filme vai corresponder ás expectativas, se sim será deverás um filme magnifico.

"Na galeria das mais extraordinárias e controversas figuras do Ocidente, a papisa Joana assume alguns contornos dos mais brumosos, enigmáticos e fascinantes. Muitos negaram, ao longo dos séculos, a sua existência, mas é ainda considerável a quantidade de documentos que referem a sua passagem pelo trono papal. Personagem histórica com lendária, Joana protagoniza a notável ascensão de uma mulher brilhante que não aceita as limitações que a sua época, profundamente misógina, lhe impõe e, armada de uma inteligência esclarecida e de uma força de carácter inquebrantável, conquista o mais elevado poder religioso. Um romance magnifico, cativante, que conspira, no virar de cada página, para prender o leitor num sortilégio magnético, na teia enredada da intriga, das turbulências politicas, dos fanatismos e intolerâncias, das paixões, das duplicidades e segredos, das crises de fé e conspirações que ameaçam Joana.
Neste romance intimista da vida de uma simples menina que ansiava aprender e alcançar conhecimentos empíricos numa época em que o Saber escolástico era vedado às mulheres, Joana desafia o mundo dos poderosos e vence-o tornando-se numa das mais respeitáveis personagens do seu tempo. A personagem principal, que é dotada de uma paixão inquebrável e com um destino esplendoroso, cruza-se com o de um verdadeiro humanista e a sua vida muda de forma radical. Criada no seio de uma família de fortes crenças religiosas, Joana aprende com a mãe o melhor do paganismo e com o pai o pior da Igreja Católica. Mais: aprende a ler e a escrever substituindo o seu irmão numa escola para rapazes de elite, fazendo-se passar por um deles e para o resto da sua vida. Com o passar do tempo, acaba por entrar no mundo da Igreja Católica e de alcançar uma rápida ascensão dentro da mesma, até se tornar Papa. "

October 6, 2010

A Felicidade de Lluís-Anton Baulenas

Um livro muito interessante e fácil de ler, dizem que é delirante como “A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón”, pois eu não achei, gosto muito mais de Zafón.

No entanto a escrita deste senhor é bem inovadora, cheia de voltas e reviravoltas, enredos, etc... muito interessante Gostei Imenso e Recomendo.


Excerto:
“Você me diz que está grávida e eu, que estou com pêlos nas orelhas. A diferença é que, se quiser, posso arrancá-los com uma pinça. Melhor ainda: posso chamar alguém para arrancá-los. Já o seu problema não me importa a mínima, e é um pouco mais difícil de resolver. No entanto é parecido com o meu: tudo pode ser arrancado, como os pelos das orelhas”.

September 30, 2010

As Flores do Inferno e Jardins Suspensos de Maria Alzira Seixo

Estudo aprofundado sobre os romances de António Lobo Antunes.
As Flores do Inferno aborda linhas de significação matriciais nos romances de António Lobo Antunes, em reflexão elaborada sem grandes precauções de coerência metodológica, a que a autora chama um «ensaio-promenade». Determinada embora por princípios teóricos que são os seus, e desenvolvida segundo preceitos de rigor textual, esta reflexão o carácter de liberdade crítica e de comunicação expansiva que procedem da experiência longa e vivida da leitura e da arte.
Jardins Suspensos obedece ao desejo de estudar o conjunto das crónicas do autor, pois formam um universo de escrita no qual tem de se reconhecer uma peculiar originalidade e assinalável qualidade poética. Elas são parte complementar da mundividência dos romances, particularmente nos sectores temático, simbólico e composicional, de que o primeiro ensaio dá conta, constituindo estes dois escritos um todo de (neste caso, inesperada - mas encontrada!) coerência interpretativa.

Sempre adorei esta escritora, que muito me tem ajudado a gostar de determinados escritores, nomeadamente também António Lobo Antunes.
Este é um livro Magnificamente escrito, sobre a vida e obra de um escritor que Adoro Ler, felizmente ainda vivo.

Cá ficam alguns excertos de alguns dos seus livros, para clickar em cima para ler melhor:

September 29, 2010

O Livro dos Seres Imaginários de Jorge Luís Borges e Margarita Guerrero

“ O LIVRO DOS SERES IMAGINÁRIOS é um bestiário fantástico que contém a descrição de 116 monstros que povoam as mitologias e as religiões de todo o mundo, ou são obras da imaginação literária de autores como Homero, Shakespeare, Flaubert e Kafka, ou ainda criações famosas da invenção humana, como os elfos, os gnomos e as fadas. A partir de comentários dos autores clássicos, das revelações de místicos e dos sonhos de escritores e poetas, Jorge Luis Borges, com a colaboração de Margarita Guerrero, recria uma fauna fantástica e infunde nova vida a relatos esquecidos.

Ordenados alfabeticamente, como nas enciclopédias que tanto fascinavam Borges, desfilam diante do leitor os estranhos seres deste “manual de zoologia fantástica” (título da primeira edição desta obra, que saiu em 1957), sustentados pela complexa erudição borgiana, avalizada por seu domínio tanto das línguas clássicas como das modernas. Com freqüência, ele mergulha na etimologia para explicar animais exóticos como o cabisbaixo búfalo negro com cabeça de porco “catóblepa”
(o que olha para baixo) e o da serpente de duas cabeças “anfibesna” (que vai em duas direções), ou mais familiares, como as valquírias (aquelas que escolhem os mortos) ou as fadas (do latim fatum, destino), entidades que intervêm nos assuntos dos homens. Mas a erudição não está a serviço da sisudez de um tratado acadêmico; ao contrário, contribui para o tom lúdico e bem-humorado do livro. O próprio Borges diz no seu prólogo que gostaria que “os curiosos o freqüentassem como quem brinca com as formas cambiantes reveladas por um caleidoscópio”.
E nessa brincadeira, ele faz uma homenagem à imaginação infinita dos homens, capaz de criar os seres mais curiosos e absurdos como sereias, unicórnios, centauros, hidras e dragões – e eventualmente acreditar neles –, animais que, como disse o crítico Alexandre Eulálio “Borges acaricia passando preguiçosamente a mão complacente do dono”.”

Muito bom mesmo e muito bem escrito, como era de se esperar. Li-o em poucas horas.

September 28, 2010

A Arte de Morrer Longe de Mário de Carvalho

Este é um livro que só pelo seu título bem sugestivo, vale bem a pena ler.
De quando em vez o autor, que se vê mesmo escreve mesmo por gosto, como que esquece o que estava a dizer, mas logo retoma.

Realmente a tartaruga vai morrer bem longe e como diz o autor: “A carapaça vazia lá está, cheia de terra e formigas, à sombra dum chaparro.”

É mesmo uma arte que muitas pseudo pessoas, que por cá andam infelizmente, a infernizar a vida alheia, deviam adoptar.

September 15, 2010

Alice Eu Fui de Melanie Benjamin

Clicando cá em cima podem ler esta página parcialmente.
Alice Eu Fui é uma biografia romanceada de Alice Liddell, a criança que inspirou o grande clássico da literatura: Alice no País das Maravilhas.
É a primeira vez que a história é contada do ponto de vista irreverente da própria Alice - agora uma octogenária que olha em retrospectiva para o seu passado e reflecte sobre a jornada extraordinária que foi a sua vida para além do País das Maravilhas. Com uma intriga bem construída, esta narrativa explora a natureza elusiva e indecifrável do amor e da sexualidade, presentes na psique humana desde a infância e ajuda-nos, através dos factos narrados, a compreender os assombros e os abismos, as passagens para o outro lado do espelho.
Uma história de amor e mistério literário, esta obra é feita com brilhantismo, factos e ficção para captar o espírito apaixonado de uma mulher verdadeiramente inspiradora.

Uma comovente biografia romanceada da história de Alice Lidell, muito bem escrita, de que gostei Imenso.
Sempre Amei Alice no País das Maravilhas, Adorei este livro do inicio ao fim e recomendo vivamente, uma Delicia.
Alice, deverás Apaixonante, sempre.

September 7, 2010

Os Olhos Amarelos dos Crocodilos de Katherine Pancol

Foi um livro que me foi apresentado com grandes expectativas, que ao princípio me foi bem difícil continuar, estive quase para deixá-lo, no seu estilo de livro tipo conto de fadas, todo escrito de uma forma muito fantasiosa e baralhada, como só a escrita francesa é capaz.

No entanto e como resolvi não desistir, continuei, devo confessar que esperava mais e melhor, no entanto ai por volta do meio do livro já a escrita fluía melhor e a escrita era já bem actual aos conflitos dos nossos dias.

Foi trabalhoso, pois foi, nas suas 490 páginas, no entanto depois tornou-se num livro muito engraçado e somente o título do livro é mesmo não só muito original, como também muito verdadeiro.

Gostei, mas sinceramente como me foi recomendado como a grande aposta do Verão 2010, devo dizer que o li e que não achei, não partilho dessa opinião, de todo.

Depois de ter lido vários livros de Murakami, José Eduardo Agualusa e Mia Couto este verão, não achei de todo. Mas enfim já o li.
Mas ainda se aproveitou muita coisa, sobre o que refletir:

“Em cada família, há pessoas que têm o ar de pequenas cavilhas insignificantes, no entanto, sem elas, não há luz para iluminar os outros. Tu e eu, somos pequenas cavilhas de amor...”

“Hoje a vida das pessoas é terrífica, disse para consigo molhando os lábios no seu whisky. Paira no ar uma angústia horrível. E como poderia ser de outro modo? Agarram-nos pela garganta, obrigam-nos a trabalhar de manhã à noite, embrutecem-nos, infligem-lhes necessidades que não têm a ver com eles, que os desviam, que os pervertem. Proíbem-nos de sonhar, de vaguear, de perder tempo. Usam-nos à tarefa. As pessoas já não vivem, são usadas. Em lume brando.”

“Lembras-te quando te dizia que a vida é uma companheira?
Que é preciso encará-la como uma amiga, dançar com ela, dar, dar sem fazer contas, e que depois ela te responderia... Que era necessário ter mão em si mesmo, tratar de si, aceitar os erros, corrigi-los, ter iniciativa... E então ela entra na tua dança. Valsa contigo.”

“- A sociedade ri-se das pessoas. Rouba-lhes o tempo, a única coisa não tarifada que cada um possui para fazer dele o que quer. Tudo se passa como se devêssemos sacrificar os nossos mais belos anos no altar da economia. O que nos resta depois, hein? Os anos de velhice, mais ou menos sórdidos, em que são usadas dentaduras postiças e fraldas! Diz-me se não há algo de vicioso nisso.”

“A ambição é uma paixão devastadora, pensou ele. O avaro alimenta-se de ouro, o libertino refastela-se com a carne, o orgulhoso enche-se de vaidade, mas o ambicioso que não venceu, de que se alimenta ele senão de si mesmo? Rói-se, destrói-se lentamente, nada pode saciar a sua sede de brilhar, de triunfar. Está disposto a vender-se, ou a apoderar-se da alma e do talento dos outros para se elevar até ao êxito. Para que finalmente o aplaudam.”


Site oficial da autora: http://www.katherine-pancol.com

September 6, 2010

Passageiros em Trânsito de José Eduardo Agualusa

Como eu me divirto com os nomes dos personagens deste livro e de tantos outros.
As histórias então mirambolantes, maravilhosas e tão engraçadas.
Simplesmente Adorei este livro, assim como adoro todos os seus livros.
Com os seus livros viajo por sítios onde já estive e por outros onde nunca estive, mas que passo a conhecer e a sentir da forma como ele os descreve.
Fico sempre com pena quando os livros deste Senhor chegam ao fim e fico sempre a aguardar o próximo, sem sombra de dúvida será melhor que o anterior.

Sou fá incondicional deste escritor, que compreende e descreve a magia da nossa terra (minha e dele), como ninguém.

September 2, 2010

Um Estranho em Goa de José Eduardo Agualusa

“Se alguém lançar um pedra, em qualquer lugar de Goa, é quase certo que vai acertar num porco, numa igreja ou num Sousa.”

Ouvi isto tantas vezes nas 2 vezes que já fui a Goa e como é verdade, eh eh .

Tenho de Goa as melhores recordações e memórias. Pode encontrar-se lá de tudo, mas de tudo mesmo, desde artigos lindos e bem baratos com um toque a Oriente, assim como loiras completamente tatuadas, língua fundida, etc...
Exotismo e originalidade completa, que eu gosto não posso negar. Mas ver nos outros, em mim sinceramente não sou adepta de tatuagens, línguas fundidas e afins...
Em toda a Índia fico sempre fascinada pelos Saris e bijutaria linda que lá têm e é claro sentados numa esplanada a beber uma King Fisher (a cerveja + vendida na Índia) tudo mas tudo é possível e o cheiro ao fim de dois dias de lá estarmos já estamos habituados ou então ficamos sem cheiro como é sempre o meu caso.

“Gosto de ficar sentado numa das minúsculas varandas do Venite, como estou agora, a espreitar as pessoas que passam lá em baixo.”

Um livro excepcional, escrito por um escritor excepcional, que adoro. Emocionante do principio ao fim.
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